Mulheres invadem o Cartola FC

Fernanda Laura, Cruzeiro, CartolaSerá que as mulheres só acompanham futebol na Copa do Mundo? Para uma parte delas, isso pode ser verdade. Mas tem outras que ficam ligadas o ano todo, especialmente no Campeonato Brasileiro. E não ficam satisfeitas apenas em torcer pelos seus times. Elas analisam os rivais, cornetam os treinadores e armam as suas equipes no fantasy game Cartola FC, sucesso do Globoesporte.com na grande rede.

Uma coincidência une as garotas cartoleiras com quem conversamos. Elas não querem saber de retranca e colocam o time no ataque sem dó das defesas adversárias. Nem mesmo a gaúcha Thaís Lavarda, gremista de 19 anos, que mora em Santa Maria e nasceu em Santiago, é adepta de sistemas mais recuados como é tradição no Rio Grande do Sul.
- Gosto de colocar o meu time para a frente com o máximo de atacantes - garantiu a torcedora tricolor, que comanda o Lavardaa no Cartola FC, estuda veterinária e joga futebol na faculdade.
Já a mineirinha Fernanda Laura de Souza, de 23 anos, mora em Divinópolis e torce pelo Cruzeiro. Recepcionista de uma escola de inglês na cidade, ela costuma pedir dicas aos alunos para escalar o seu time a cada rodada. Mas de uma coisa ela não abre mão: a ofensividade da equipe.
- Adiciono um time bem variado. Prefiro um jogo corrido ao retrancado e costumo escalar três atacantes - revelou a gata celeste, "cartola" do Orion, que já fez 98 pontos na primeira rodada do Cartola FC em 2010.
No interior paulista, Beatriz Carvalho também prefere colocar o seu Cinta Liga FC num esquema 4-3-3. A torcedora santista, de 18 anos, que mora em Barretos, acredita que, desta maneira, consiga marcar mais pontos do que enchendo o time de defensores ou meio-campistas.
- Observo como os jogadores foram na rodada passada e coloco sempre atletas que jogam em casa, porque normalmente fazem mais pontos. O esquema que prefiro é o 4-3-3 com mais atacantes na equipe - explicou Bia.

Torcida até pelos rivais
Mariana Bastos, Botafogo, Cartola
Não tem essa de escalar só jogadores do próprio time para essas mulheres que gostam de futebol. Elas colocam representantes até dos maiores rivais, algumas com uma certa restrição, outras não. Mariana Bastos, de 21 anos, por exemplo, é botafoguense de Niterói, no Rio. A alvinegra já escalou flamenguistas no Sebastian FC, sua equipe, e até comemorou gol do rival.
- Não tenho problemas em escalar adversários no meu time do Cartola. A rivalidade com o Flamengo é eterna e o título carioca deste ano foi uma das melhores sensações da minha vida como torcedora. Na 10ª rodada, coloquei três jogadores do Flamengo, Ronaldo Angelim, Léo Moura e o Diego Maurício (o atacante fez um gol diante do Avaí no empate por 1 a 1). Eu me peguei comemorando o gol do Flamengo. Comemorei sério e depois fiquei me olhando. Mas não tem jeito, o Cartola faz isso com a gente - justificou a torcedora do Botafogo, que contou que era muito pequena para curtir o título brasileiro, em 1995.
Os atleticanos têm vez na equipe da cartoleira cruzeirense Fernanda Laura. Mas nada de atacantes como Diego Tardelli e Neto Berola. Só jogadores defensivos do maior rival entram na escalação criteriosa da mineira. Mesmos os atletas celestes são analisados antes de ganharem o seu espaço.
- Gosto de olhar todos os times, não só o Cruzeiro. Já coloquei até jogadores do Atlético-MG, mas só de defesa, porque não gosto de vê-los marcando gols - brincou.

Bia Carvalho Santos CartolaA paulista Bia já confiou mais nos atletas do Peixe, especialmente nas rodadas antes da Copa do Mundo. Para a estudante de engenharia química, não há qualquer restrição em dar uma chance a um adversário entre os seus 11 titulares, mas, nem por isso, a rivalidade, especialmente com o Timão, diminui.
- No começo do campeonato, escalava mais jogadores do Santos, até porque o time estava muito bem. Mas agora estou mesclando mais. Não tenho problemas em escolher os rivais. Coloquei o Bruno César na última rodada, que fez muitos pontos. Mas não gosto nem dele, nem do Corinthians - deixou claro.
Como não poderia deixar de ser, a gaúcha Thaís Lavarda é mais radical. A gremista só coloca atletas do Internacional em sua equipe do Cartola FC em último caso.
- É difícil colocar jogadores do Inter. Não coloco atacante de jeito nenhum. Alecsandro tá fora! Acabo sempre colocando mais jogadores do meu time. Se vai mal, fico triste pelo Grêmio e pelos pontos perdidos no Cartola - disse.
Apesar de gremista fanática, ela é amiga de vários atletas e até de alguns com passagem pelo Colorado como Walter, que deixou o Beira-Rio recentemente para jogar no Porto, de Portugal. Ela também conhece atletas com passagem pelo seu clube do coração como Douglas Costa, atualmente no futebol da Ucrânia, e outros do Goiás, que passaram por Santa Maria durante uma pré-temporada.

Elas conhecem cada vez mais de futebol
Thaís, por sinal, conheceu o fantasy game através dos irmãos, entrou na liga criada por eles e, desde então, garante que fica sempre na frente nas disputas particulares. A gaúcha também se posiciona contra o preconceito às mulheres no mundo de futebol.
- Acabou aquela coisa que futebol é coisa de homem, até porque tem muitos que sabem menos que as mulheres. Acho que ainda há um certo preconceito, mas, como aconteceu em outras áreas, vamos saber conquistar o nosso espaço. Jogo Cartola desde 2008, na liga criada pelos meus irmãos e os colegas. Entrei para participar e eles sempre ficam atrás de mim. Homem acha que sabe tudo de futebol... - provocou.

Thaís Lavarda, Grêmio, Cartola

Fernanda, por sua vez, foi levada ao mundo do Cartola FC pelo namorado em 2009 e gostou do jogo. Tanto que, neste ano, está armando e mudando a sua equipe desde o início da temporada e a tendência é continuar a dedicar algum tempo a essa atividade.
- Conheci o Cartola graças ao meu namorado Paulo Henrique. Mas montei o meu time no meio do campeonato. Neste ano, estou jogando desde o início. Já gostava de futebol desde pequena, sempre assisti aos jogos do Cruzeiro na TV com o meu pai e agora com o meu namorado, que gosta ainda mais de futebol - afirmou a cruzeirense.
A botafoguense Mariana diz que está levando o Cartola a sério pela primeira vez neste ano, apesar de ter o seu time desde a última temporada. Ela conheceu o fantasy game através de amigos, que sabiam que ela sempre gostou de futebol e a ajudaram em 2009, mas a alvinegra garante estar se virando bem sozinha agora e até ataca de comentarista para falar do clube do coração.

- Analiso tudo. Sempre gostei de futebol, mas fui ficando mais velha e querendo ir aos estádios. Gosto de acompanhar os jogos. Nessa última rodada, não confiei muito nos jogadores do Botafogo, não. Mas acredito que as coisas vão melhorar para o time principalmente com o Maicosuel. Mas não vou escalar ele logo de cara. Vou esperar para ver como ele se sai nas primeiras rodadas - contou a precavida alvinegra.
Bia, santista de carteirinha, conheceu o Cartola através das redes sociais, especialmente o Orkut, e, mesmo antes de montar a sua equipe, já tinha se associado à comunidade do fantasy game. Só neste ano que ela resolveu jogar para valer desde o início do Brasileirão. Bia se envolve mesmo com o futebol e já levou bronca da mãe por conta da paixão.
- Minha mãe não gosta que eu assista aos jogos de futebol e briga comigo, porque fico xingando e cornetando. Nem meu irmão, que tem 10 anos, gosta tanto de futebol quanto eu - garantiu.
E não é a só a mãe da paulista de Barretos que se irrita com ela por causa de futebol. Até mesmo o pai, que também gosta do esporte, mas é são-paulino, teve que aturar as provocações da filha após derrota no San-São.
- Já fiquei três meses sem falar com meu pai, que é tricolor, por causa de um clássico que o Santos venceu o São Paulo e fiquei zoando com ele. No fim de semana passado, comecei a fazer a mesma coisa (o Peixe venceu o Tricolor por 1 a 0) e ele me avisou para parar. Lembrei do que tinha acontecido da última vez e me segurei - contou.

Blog destaca concurso para musas cartoleiras
Reprodução Blog CartoleirosDentre os blogs que destacam as suas ligas dentro do Cartola FC, o Cartoleiros é um deles, que foge um pouco da ideia apenas de provocações e brincadeiras entre os membros para fazer posts destacando aspectos interessantes do fantasy game. Como o que fizeram no dia 17 de julho sobre a participação feminina no jogo, post do qual participaram a maioria das cartoleiras citadas nesta matéria.
- Já tínhamos um blog de amigos para falar sobre a nossa liga Campinas United, do Cartola FC, apenas entre nós. Neste ano, resolvemos abrir para mais participantes e começamos a levar isso mais a sério. Estamos procurando colaboradores e, em três meses no ar, já tivemos mais de 120 mil visitantes - avisou o comerciante Eduardo Bérgamo, um dos seis responsáveis pela atualização do conteúdo do Cartoleiros.
Inspirados pelo concurso Musa do Brasileirão, os blogueiros de Campinas, no interior de São Paulo, decidiram também eleger uma gata cartoleira e lançaram a sua própria disputa. Segundo Eduardo, a intenção é sempre prestigiar cada vez mais o Cartola FC na internet.
- Isso surgiu entre a gente num bate-papo após uma pelada. Nós nos inspiramos na Musa do Brasileirão. Mas inicialmente queríamos apenas descobrir garotas que jogam Cartola para valer. Vimos que o interesse delas era enorme nas redes sociais como Orkut e Twitter e sugerimos a ideia para várias, que gostaram - disse.
Dentre as cartoleiras que ouvimos, Thaís gostou da ideia, já recebeu elogios nos comentários e acha que pode representar bem a beleza da mulher gaúcha. Fernanda também garantiu a participação após ler animadas manifestações de apoio. Ganhar? Mineiramente, ela respondeu: "De repente, quem sabe...". Bia conta que já fez sucesso entre as torcedoras santistas no Orkut, mas "depende do gosto de quem vai votar em cada concurso". Já a botafoguense Mariana acha que não tem talento para musa. A torcida alvinegra discorda, assim como a rubro-negra, a cruzmaltina, a tricolor...

 
 
 
 
 
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