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Opinião: o que a atitude de Jô tem a ver comigo e com você?

O jogador corintiano mostrou o nosso lado mais hipócrita.

Opinião: o que a atitude de Jô tem a ver comigo e com você?

Hoje tivemos mais um caso interessante que podemos usar como experiência social em diversos momentos de nossas vidas. João Alves de Assis Silva não é o maior exemplo de ser humano a ser seguido. Na verdade, existem poucos casos que o são. Mas isso não vem ao caso nesse momento. Esse texto falará sobre a [má] conduta do jogador e o que isso tem a ver comigo e com você.

Entenda, quando falo em exemplo a ser seguido, falo no âmbito social, em termos do que é certo e errado perante essa sociedade. Sabemos, desde os primeiros anos de vida em que temos noção de certas questões que mentir é errado. Ora, a própria Bíblia Sagrada mostra em vários pontos o quanto mentir desagrada a Deus. Mas não entraremos nesse aspecto do assunto em questão.


O momento em que deliberadamente não assume que a bola tocou em seu braço, dizendo que se tivesse "convicção" de que a bola tivesse tocado, falaria, mostra o pior lado do ser humano. O lado maldoso. O lado hipócrita. De usar certos artifícios ardilosos em determinadas situações para escapar de suas consequências. Não sabemos por que ele não teria assumido o toque. Não sabemos o que passou na cabeça dele nos vinte e poucos minutos antes da entrevista do intervalo. Só ele sabe e isso é com ele. O problema disso é quando sabemos e não admitimos. É óbvio que a bola toca. Ao rever os diversos ângulos disponíveis, podemos comprovar isso. Pior ainda é não ter admitido que nem sentiu o toque da bola. Jogadores de futebol guardam na memória a maioria de seus gols. É no mínimo estranho que Jô não se recorde de um lance tão decisivo quanto o único gol da partida que resultou em 3 pontos para seu time.


Quando Rodrigo Caio admitiu no jogo contra o próprio Corinthians em abril desse ano que ele teria sido o responsável pelo toque no goleiro Renan Ribeiro que resultou em um cartão amarelo para Jô, o jogador foi elogiado no mundo inteiro. O mesmo Rodrigo Caio foi ridicularizado por conta da mesma atitude quando o cartão atribuído ao seu adversário na partida o tiraria do jogo de volta da semifinal do Campeonato Paulista. O fato é que a consciência do jogador são paulino estava limpa. Ele sabia o que havia acontecido. E admitiu, não se importando com as consequências.

Situações como essa levantam questionamentos intermináveis sobre tudo. Desde assuntos sobre como a competitividade no universo do futebol faz com que a perspectiva da pessoa mude, até questões simples sobre a falta de preparo dos jogadores para lidar com a imprensa, sobre a péssima arbitragem brasileira ou assuntos mais profundos, como questionamentos sobre a índole do povo brasileiro como um todo. Tudo isso poderia ter sido evitado se o jogador corintiano apenas dissesse que tocou na bola e se livrasse da culpa. O erro grotesco da arbitragem passaria a ser o centro do problema e esse texto teria um foco totalmente diferente.

A mesma coisa vale para nós. Não adianta eu fazer um texto julgando as atitudes do Jô se eu próprio não admito meus erros e falhas na minha vida. Não adianta eu pedir para que as coisas mudem numa sociedade falha, se eu mesmo não faço nada para melhorá-la.

Os fatos são claros. Mas os pensamentos e comportamentos são obscuros. E isso tem que mudar o mais rápido possível. Ou muito em breve situações como essas se tornarão corriqueiras ao nosso redor. E nós seremos como o auxiliar que fingiu não ter visto a bola tocar no braço de Jô em primeiro lugar.

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Opinião: o que a atitude de Jô tem a ver comigo e com você? Opinião: o que a atitude de Jô tem a ver comigo e com você? Reviewed by Editor Kaio on 9/17/2017 11:14:00 PM Rating: 5