O que esperar de Brasil x Bélgica?

Bélgica tem 100% de aproveitamento na Copa


Após uma convincente vitória sobre o México por 2 a 0 na última segunda-feira (02), o Brasil desponta como grande favorito ao título mundial, ainda mais com a eliminação espanhola para os anfitriões. No entanto, para confirmar o favoritismo, é necessário passar por uma difícil série de jogos contra seleções fortes e/ou tradicionais. O primeiro desses desafios é contra a Bélgica, sem muita expressividade quando se trata de história, mas que possui um elenco recheado de craques que jogam nos maiores clubes da Europa.

Em toda a história, nós enfrentamos os belgas em quatro oportunidades, uma derrota e três vitórias para o nosso lado. A mais importante delas, sem dúvidas, foi pelas oitavas de final da Copa de 2002, quando o placar de 2 a 0 - gols de Ronaldo e Rivaldo - esconde a dificuldade que a Canarinho passou durante os 90 minutos e uma certa ‘‘ajudinha’’ do árbitro jamaicano Peter Prendergast em suas decisões favoráveis aos brasileiros.



16 anos depois, muita coisa mudou no Futebol: nunca mais um sul-americano foi campeão mundial, o Brasil sofreu 7 a 1 em sua própria casa e a Bélgica se tornou uma das potências entre as seleções. Após caírem nas quartas de final na última Copa e Eurocopa, a Rode Duivels veio à Rússia disposta a ser mais uma das gratas surpresas que surgem nesse mundial. Líder de seu grupo, a Bélgica conseguiu uma improvável virada contra o Japão no último lance da partida para se candidatar a ser o Carrasco (perdoem o trocadilho) da seleção brasileira.

3ª colocada no Ranking da FIFA e com craques como Eden Hazard e Kevin De Bruyne, os belgas atuam como três zagueiros na defesa (Kompany, Verthogen e Alderweireld), uma linha de quatro jogadores no meio campo e dois pontas jogando atrás do centroavante Romeru Lukaku. Muito forte individualmente, os comandados de Roberto Martinez têm velocidade para contra atacarem, bom jogo aéreo devido a estatura de seus atletas e o costume de cobrarem o escanteio curto.



Sem muitos desafios nessa Copa do Mundo - ainda mais porque jogaram com os reservas contra a Inglaterra – a Bélgica, mesmo assim, mostrou algumas deficiências como na falha na transição da defesa para o ataque e a falta de agressividade (no bom sentido) defensiva, que permite a troca de passes adversária mesmo com uma linha de 5 postada sobre sua área.

Se o time europeu vem embalado pela virada histórica diante dos nipônicos, nós estamos animados justamente pela vitória convincente de Tite e seus jogadores em sua melhor aparição na Rússia até o momento. Com dificuldades no início da partida, o Brasil ‘‘soube sofrer’’ a pressão mexicana, tanto que não levou nenhum chute ao gol e, aproveitando-se da queda de intensidade dos rivais, fez uma alteração tática crucial para o andamento do confronto.



Antes no 4-1-4-1, que deve ser mantido contra a Bélgica, o treinador brasileiro demonstrou uma de suas variações para o 4-4-2 com Neymar e Jesus na linha de frente. Falando em nosso grande craque, Neymar demonstrou estar 100% recuperado da lesão e, por isso, cresce de rendimento a cada partida. Um sinal animador, ainda mais depois da melhora de William que, com liberdade para flutuar pelo meio de campo, criou jogadas por todos os cantos e confundiu a defesa de Osório.

Sem Casemiro, suspenso pelo segundo cartão amarelo, parece óbvio que o seu substituto será Fernandinho, acostumado a jogar na mesma posição no Manchester City. A outra alteração prevista é a volta de Marcelo na lateral esquerda. Sem mais radicalidades, é de se esperar que o restante do time continue como está: Fagner, mais uma vez, passou confiança para o setor defensivo, mesmo atuando com Lozano e Vela caindo por seu lado. Bem ofensivamente, o lateral corintiano definitivamente assumiu a titularidade.



Gabriel Jesus talvez seja o mais criticado pela torcida, até por uma questão cultural. O torcedor brasileiro sempre gostou de um camisa 9 matador, que seja o homem gol da equipe, como Romário em 94 e Ronaldo em 2002. Gabriel tem muita mobilidade e se aproveita dela para auxiliar a equipe nos momentos defensivos, voltando para marcar ou tirando a linha de passe dos zagueiros rivais, e ofensivamente abrindo espaço para infiltrações, como no gol de Paulinho contra a Sérvia. No entanto, quando se trata de botar a bola no fundo do gol, Jesus ainda está devendo, apesar das inúmeras tentativas diante do México.

Firmino seria a opção em seu lugar. O atacante do Liverpool também não é um autêntico 9, que é alto e segura a bola para os companheiros, porém vem de uma temporada melhor em seu time e também tem a versatilidade apresentada pelo ex palmeirense. Como Tite é muito pragmático em suas escolhas, provavelmente as reivindicações da torcida por uma troca no setor ofensivo não serão escutadas pelo treinador.

E para você? Quem ganha esse jogão pelas quartas de final?
O que esperar de Brasil x Bélgica? O que esperar de Brasil x Bélgica? Reviewed by Matheus Moura on 7/05/2018 02:59:00 PM Rating: 5