Boca x River: a maior final da história da “Libertadores raíz”

Duelos serão realizados nos dias 7 e 28 de novembro



Despedidas costumam ser marcantes. Assim será a final da 59ª edição da Taça Libertadores, a última com a decisão realizada em dois jogos. Como protagonistas, River Plate e Boca Juniors, dois dos maiores clubes do mundo e donos de uma rivalidade que atravessa as fronteiras argentinas para dominar toda a América Latina.

Após escândalos de corrupção, a CONMEBOL passou por algumas reformas estruturais nos mais variados setores, inclusive em seu maior produto: a Taça Libertadores da América. Disposta a transforma ela em uma Liga dos Campeões da América, a confederação já convidou times mexicanos e estadunidenses para a disputa e realizará a final em jogo único, nos moldes de como é feito a Champions League.

Uma competição emocionante, de torcidas apaixonadas, estádios lotados, jogos pegados, provocações de ambos os lados, rivalidade a flor da pele, partidas na altitude e clássicos inesquecíveis na vida de cada torcedor. Isso a Libertadores sempre foi e nunca deixará de ser, porém é inegável a falta que sentiremos das finais de quarta-feira a noite, jogada em 180 minutos e com poucos times da CONCACAF – desde 2016 os mexicanos não disputam mais a competição.

Tévez no histórico clássico de 2004 (Foto: Getty Images)
Maktub. Para os céticos, que só acreditam no que veem, está ai a maior prova de que apesar de o futebol necessitar de muito esforço e dedicação, também é fortemente influenciado pelo destino. Como se fosse em uma novela, Ronaldo sofreu uma convulsão na final de 98 e quatro anos mais tarde trazia o penta; da mesma maneira o Brasil, que dois anos após o 7 a 1 teve nas Olímpiadas uma oportunidade de ganhar a inédita medalha de ouro contra a mesma Alemanha. 

Assim como nesses episódios, a Libertadores também terá um encerramento de ouro escrito que nem o melhor dos dramaturgos seria capaz de escrever: será decidida justamente pela maior rivalidade do continente (se não for do Mundo).

Apesar da enorme qualidade técnica dos times, ambos estiveram muito perto de serem eliminados. O Boca Juniors sofreu (e muito) para passar da fase de grupos. Só se classificou porque o Palmeiras (podendo entregar o jogo e eliminar o rival) derrotou o Junior Barranquilla no Allianz Parque e ajudou diretamente os argentinos, que venceram o Alianza Lima. O River também passou por dificuldades. 

Após eliminar dois rivais no mata-mata – Racing e Independiente –enfrentou na semifinal o Grêmio, atual campeão da competição. Jogando a segunda partida no Brasil e perdendo de 2 a 0 no placar agregado, La Banda calou a Arena do Grêmio lotada e virou o confronto, se classificando pelos gols marcados fora de casa.

Os elencos


Do lado xeneize, um elenco recheado de estrelas do futebol sul-americano: Benedetto, autor de três tentos contra o Palmeiras é presença constante na seleção argentina e Pavón, habilidoso ponta que viajou a Rússia com os Albicelestes, são capazes de deixar no banco de reservas o renomado Carlos Tévez, um dos maiores ídolos da história recente do Boca. A escalação de Guillermo Schelotto é tradicionalmente 4-3-3 e conta ainda com Mauro Zárate, de muita movimentação apesar de seus 31 anos.

O meio de campo é composto pelo trivote de Bárrios, Nandez e Pérez. Essencialmente defensivos e raçudos, o trio tem mobilidade suficiente para se aproximar do ataque, principalmente em chutes de fora da área.  Até Fernando Gago, outro ídolo experiente, se tornou reserva devido à qualidade do atual meio de campo.

O jovem Ezequiel Palacios já desperta o interesse de clubes europeus (Foto: Diario Popular)

Já os Millonarios, comandados por Marcelo Gallardo, também apresentam um futebol extremamente ofensivo.  Aguerrido como todo time portenho costuma ser, incomoda os adversários com uma marcação pressão muito forte. Dentre os destaques, outros que também foram a Copa do Mundo: Juan Quintero, um verdadeiro camisa 10 capaz de abrir defesas adversárias e Armani, goleiro campeão da Libertadores em 2016 pelo Atlético Nacional. Na Superliga, a equipe possui 16 pontos em nove jogos – um ponto a mais que o Boca, que já disputou dez partidas.

Lucas Pratto é outro grande conhecido do torcedor brasileiro. Com passagens por Atlético-MG e São Paulo, o atacante de quase 12 milhões de euros já balançou as redes três vezes na temporada. Gonzalo Martinez, carrasco do Grêmio com uma assistência e um gol no duelo de volta é outro que merece atenção. Cobiçado pelo mercado norte-americano, o atleta de 25 anos também despertou olhares do Flamengo para 2019.


Superclásico na Libertadores

A maior prova de como o Superclásico é muito copeiro é a sua enorme frequência em Libertadores. Diferentemente de Real Madrid e Barcelona, que raramente se enfrentam na Liga dos Campeões, River Plate e Boca Juniors já se enfrentaram 24 vezes somente na Libertadores. São 7 vitórias para o River, 7 empates e 10 vitórias do Boca. Em 2018, pela primeira vez na história os clubes se encontrarão em uma final. Antes disso, o máximo que conseguiram foram as semifinais de 1978 e 2004.

No último confronto internacional, um fato bastante curioso. Em 2015, o Boca, invicto no torneio, possuía a melhor campanha da fase inicial. Portanto, enfrentaria a pior campanha de toda a fase de grupos, o River. Após vitória dos donos da casa no Monumental de Núñez por 1 a 0, a decisão da vaga ficaria para o mítico estádio de La Bombonera. Após 0 a 0 no primeiro tempo, a torcida xeneize jogou gás de pimenta no vestiário dos visitantes. Com isso, o jogo foi suspenso e a classificação entregue ao River, que viria a ser campeão daquela edição.

 2004: Meio Campo Gallardo x Atacante Schelotto

Em 2018, Gallardo e Schelotto, os técnicos de River e Boca, respectivamente, protagonizarão juntamente com seus elencos um dos maiores jogos da história do futebol. No entanto, as finais de 2018 começaram muito antes da classificação de ambos para a grande decisão: em 1978, o Boca eliminou o River em pleno Estádio Monumental e se classificou para a final contra o Deportivo Cali, em que viria a ser campeão com certa facilidade.

34 anos mais tarde, em outra semifinal e com Gallardo e Schelotto em campo, o River tentaria dar o troco no arquirrival. A primeira partida, realizada na Bombonera, terminou com três jogadores expulsos (um deles Marcelo Gallardo) e 1 a 0 para o Boca Juniors no placar. Ainda sem a regra do gol fora de casa, os Millonarios precisariam vencer por um gol de diferença para levar a decisão para os pênaltis. Em um segundo tempo tenso, o Boca teve Vargas expulso logo nos primeiros minutos da etapa complementar. Lucho Gonzalez se aproveitou da vantagem para abrir o marcador. Se o atual técnico do River conseguiu ser expulso na primeira partida, o treinador dos Azul y Oro foi mais esperto: provocou bastante Sambueza, que foi expulso.

Melhores momentos de River Plate x Boca Juniors (Fox Sports)

Com igualdade numérica, Tévez, livre de marcação dentro da área, se aproveitou de cruzamento rasteiro para empatar aos 43’. Na comemoração, o atacante tirou a camisa e imitou uma galinha, também levando o cartão vermelho. Eliminado até então, os mandantes foram para o tudo ou nada apoiados por uma torcida fanática de 70 mil torcedores cantando a seu favor.

A pressão final deu certo e o zagueiro Nasuti se aproveitou de uma bola parada para marcar e levar para as penalidades. Sem erros até a última série de cobranças, Maxi López parou em Abbondanzieri e mais uma vez a vaga ficaria do lado azul e amarelo de Buenos Aires.

E em 2018, quem ficará com o título da Taça Libertadores da América?
Boca x River: a maior final da história da “Libertadores raíz” Boca x River: a maior final da história da “Libertadores raíz” Reviewed by Matheus Moura on 11/01/2018 04:07:00 PM Rating: 5